Projeto Piloto “ Qualidade do leite – Terenos/MS”

mar 27, 2013   //   de admin   //   Blog, Gestão, Notícias, Qualidade  //  Nenhum Comentário

Um grupo de pequenos produtores de leite da região do município de Terenos, em Mato Grosso do Sul, mostra como pequenas mudanças de hábitos e práticas podem melhorar substancialmente a qualidade e o volume do produto. Depois de 20 anos de trabalho, sem praticamente nenhum retorno financeiro e muitos já pensando até em abandonar o campo, liderados pela produtora Lucílha de Almeida, eles organizaram um grupo disposto a fazer as mudanças necessárias a fim de garantir as melhorias que proporcionariam um melhor rendimento da atividade.

“Inúmeras vezes procuramos os laticínios e sempre ouvimos que eles não poderiam pagar mais porque a qualidade do nosso leite era ruim, que tinha muita bactéria , pouca gordura…E diante disso nunca conseguimos passar dos 60 centavos por litro de leite produzido”, conta Lucília. O valor pago mal dava para arcar com os custos da produção.

Quarenta produtores decidiram, com o incentivo do laticínio BRF Brasil Foods que lançou o desafio, mudar o rumo dessa história e propuseram um desafio ao laticínio , comprador da produção leiteira da região. “Iríamos em busca das melhorias mas queríamos a garantia de melhores preços pelo nosso produto”, diz Lucílha, que partiu em busca de parcerias e cursos para esse grupo. O gerente regional da empresa, Jeferson Farias, explica que “sempre que o produtor é desafiado, a resposta é positiva”.

Uma das produtoras, que também é zootecnista, Carlinda Maria Oliveira da Silva, foi pessoalmente a cada uma das 40 propriedades envolvidas no projeto para fazer um diagnóstico da situação. “Não encontrei resistência por parte dos produtores porque todos já estavam no fundo do poço, prestes a abandonar a produção.” De posse dessas informações, o próximo passo foram os cursos de qualidade do leite, manejo do gado, alimentação e higienização, oferecidos pelo Senar, através da intermediação da Secretária da Seprotur, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias. O passo seguinte foi conseguir os 8 resfriadores, que atendem o grupo, através de uma parceria com a Prefeitura Municipal de Terenos.

Quatro meses depois, o grupo começa a colher os frutos da iniciativa. A produção subiu de 40 para 80 mil litros/mês e, muitos deles, já começam a receber em dezembro a bonificação pela qualidade do leite. A quantidade de bactérias toleradas no leite, denominada contagem bacteriana total (CBT), que tem como limite total de 100 mil, por mililitro de leite chegou a 5 mil e a contagem de células somáticas (CCS) no leite, que indica o estado sanitário do úbere, que não pode ultrapassar os 400 mil células/litro , está em 23 mil em alguns tanques.

A receita, segundo a organizadora do grupo , é muito simples. “Muita água e sabão para garantir a total higiene e evitar qualquer tipo de contaminação, uma boa alimentação conseguida através do sal de qualidade que passou a nos garantir mais gordura e proteína. E isso tudo com a mesma estrutura que já tínhamos.” Lucílha conta ainda que muitos produtores ainda trabalham de forma bem rústica, com ordenha manual, mangueiro descoberto, o que exige ainda mais cuidados com a higiene. Um dos produtores que mais foi bonificado não tem estrutura nenhuma para ordenha, mas foi o que mais mostrou qualidade com higiene, manejo correto e boa alimentação. Era o grito de liberdade que estava entalado na garganta há mais de 20 anos, a “carta de alforria” como diz Lucília.

Hoje, já recebendo pagamento com valores diferenciados o grupo comemora a conquista e mostra promover o desenvolvimento com pequenas mudanças. Produzindo o dobro de volume de quando começaram o projeto de melhoria, eles afirmam que podem triplicar a produção, sem perder ofoco na qualidade. “Desde que começamos as boas práticas, o leite vem sendo testado mensalmente e estamos conseguindo manter o padrão que o laticínio nos exigia para garantir a melhoria no nosso preço”, comemora Lucílha.

“Desde o lançamento do Programa Leite Forteestamos tentando fomentar o segmento do leite do estado. Várias ações estão sendo desenvolvidas simultaneamente mas essa, em especial, tem uma importância relevante porque veio da base, partiu dos próprios produtores, da união deles, da vontade de fazer certo. O resultado não poderia ser diferente”, comemora a Secretária de Produção, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias.

Jeferson farias, da BRF Brasil Foods, explica que esse pagamento diferenciado era feito em forma de bonificação mas que agora será implantado o Programa Pagamento por Qualidade, que tanto pagará mais pelo leite de boa qualidade quanto descontará valores daqueles que não atingirem o padrão desejado pela empresa. “Temos uma grande responsabilidade. Há cerca de um mês estamos produzindo na nossa planta aqui de Terenos o queijo mussarela Sadia para o abastecimento do mercado brasileiro. Isso faz com que tenhamos uma preocupação muito grande com a qualidade. Daqui pra frente só podemos melhorar”. Hoje 50 por cento do leite processado na empresa é proveniente de tanques comunitários do estado.

Muitos dos que pensavam em abandonar a produção, hoje pensam é em investir em melhorias da infra estrutura da produção leiteira. Para Lucília, o grupo quebrou a barreira que os eparava do bom desempenho e hoje só pensa em compartilhar essa experiência com os demais produtores de leite. E Jeferson arremata, “o produtor só se sente estimulado a produzir mais e melhor quando você paga melhor pelo produto dele. É nisso que acreditamos.”

A Secretária da Seprotur, Tereza Cristina, garante que a partir de agora “ o grande desafio será replicar esse projeto em vários grupos de produtores, principalmente nos 17 municípios escolhidos para alavancar o Programa leite Forte. Essa ação bem sucedida dá novo ânimo aos que abraçaram essa causa e serve de exemplo para os que ainda enfrentaram esse desafio em busca de melhoria na qualidade da produção leiteira”, conclui.

LEITE FORTE

Os 40 produtores que fazem parte desse projeto piloto vão receber assistência de um técnico capacitado pelo programa Leite Forte, que vai oferecer assistência técnica sobre manejo nutricional, melhoramento genético e gestão financeira de propriedade, aumentando assim a quantidade e a qualidade do leite produzido por eles.

O projeto Leite Forte tem como objetivo desenvolver a Bacia Leiteira na região central de Mato Grosso do Sul. O Leite Forte ainda prevê ao longo de três anos qualificar 1.500 produtores em 17 municípios, praticamente dobrando produção/qualidade na Região Central do Estado com a inclusão de assistência técnica efetiva e contínua, com investimento dos parceiros e produtores de cerca de R$ 70 milhões incrementando a atividade em R$ 175 milhões ao longo deste período.

SERVIÇO

O lançamento do Projeto Piloto “ Qualidade do leite – Terenos/MS” será no próximo sábado (09.03) no Ginásio de Esportes P.A. Patagônia. Além de mostrar os resultados positivos da união dos produtores de leite da região, serão debatidos temas ligados à produção leiteira.

Fonte: Rural Centro

Deixe um comentário

CAPTCHA Image

Reload Image

Assine nossa Newsletter

Arquivos