Como funcionaria a operação para fraudar leite

mai 21, 2013   //   de admin   //   Blog, Mercado, Notícias  //  Nenhum Comentário

Com nova denúncia do Ministério Público Estadual, já são 14 pessoas acusadas por adulteração de leite com presença de água, ureia e formol.

Com a segunda denúncia contra suspeitos de participar de esquema para adicionar água e ureia com formol ao leite cru, em busca de maior lucro, já chega a 14 o número de acusados na Operação Leite Compen$ado. E não são apenas transportadores que comporiam a quadrilha, como suspeitava-se: produtores rurais, funcionários de postos de refrigeração e até um veterinário de uma cooperativa paranaense estariam envolvidos.

Nesta sexta-feira, o Ministério Público Estadual (MP) entregou à Justiça de Ibirubá denúncia contra 12 pessoas pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e adulteração de produtos alimentícios. Seis dos denunciados já estão presos preventivamente. Na quarta-feira passada, duas pessoas haviam sido denunciadas em Guaporé.

– A denúncia tem 110 páginas que mostram como o grupo teria adulterado e vendido leite inadequado de dezembro de 2012 a maio deste ano – explicou Mauro Rockenbach, promotor responsável pelo caso.

Conforme o MP, o esquema em Ibirubá funcionaria de forma autônoma: todos os elos da fraude operariam na mesma cidade, sem conexão direta com outros núcleos. Produtores receberiam o pagamento da indústria por uma quantidade acima do que realmente haviam vendido e dividiriam o lucro com transportadores que faziam a mistura e técnicos de postos de refrigeração. O leite seria vendido para as indústrias Mu-mu e Confepar, no Paraná, que desconheceriam a fraude.

A reportagem tentou contato com os denunciados. Apenas o advogado de Daniel Riet Villanova, Paulo Cesar Garcia Rosado, foi encontrado. Rosado disse que tomará conhecimento da denúncia antes de se pronunciar, mas inicialmente a acusação não condiz com o que afirma seu cliente.

Na próxima semana, novas denúncias poderão ser apresentadas em Horizontina e novamente em Ibirubá. Grupos em outras cidades estão sendo investigados, já que a fórmula da adulteração teria sido vendida para diversos transportadores gaúchos.

Além disso, nesta sexta-feira, o Ministério da Agricultura descartou a suspeita sobre resíduos de antibiótico em amostras de leite cru retidos na empresa Laticínio Vale do Taquari, no dia 10 de maio. Como o lote estava dentro dos padrões regulamentares, será liberado para a comercialização, informou o ministério.

Esquema organizado
Como funcionaria a operação do núcleo de Ibirubá, segundo o Ministério Público Estadual

Os produtores
Egon Bender: entregaria notas falsas a pedido dos transportadores, simulando ter vendido mais leite. Receberia o pagamento da indústria e repartiria com o grupo.
Senald Wachter: entregaria leite já adulterado aos transportadores sem o conhecimento do grupo. Com o risco de alterar a fórmula, teria sido excluído do esquema.

Os transportadores
João Cristiano Pranke Marx: seria um dos líderes do esquema e dono da Crisma Transportes, receberia o leite cru e preencheria a nota fiscal com uma quantidade maior. A diferença seria coberta com água e ureia. Seria quem recolhia o dinheiro dos produtores e dividiria com a quadrilha.
Angelica Caponi Marx: sócia de João Cristiano na Crisma Transportes, ajudaria na articulação da fraude.
Alexandre Caponi (irmão de Angelica), Arcídio Cavalli e Cleomar Canal: sócios da empresa Três C Transportes. Além da distribuição de leite adulterado, teriam adicionado a mistura nos tanques dos caminhões.
Paulo Cesar Chiesa: sócio da Transportadora Irmãos Chiesa. Seria um dos líderes do esquema, dando ordens para a operação e compra e venda de ureia, e prepararia a mistura nos caminhões.

No posto de resfriamento
Rosilei Geller: funcionária de um posto no município de Selbach, avisaria os caminhoneiros da presença de fiscais.
Natalia Junges: funcionária de uma cooperativa paranaense, falsificaria notas fiscais, aumentando a quantidade de leite recebida.
Daniel Riet Villanova: seria um dos líderes do esquema, era técnico de uma cooperativa paranaense no Rio Grande do Sul e deixaria de fazer a análise do leite que chegava adulterado. Receberia pagamento de até R$ 3,5 mil por mês para facilitar o esquema.

Na propriedade
João Irio Marx: armazenaria a ureia com formol e a água nos fundos da sua casa, em Ibirubá, onde seria feita a mistura. É pai de João Cristiano.

Na indústria
O leite chegaria com documentos falsificados e as indústrias não fariam os testes que a lei determina. A partir de outubro de 2012, o leite adulterado passou a ser enviado para uma cooperativa paranaense, que vendia somente naquele Estado, não no Rio Grande do Sul. Antes dessa data, o leite adulterado era entregue à indústria Mu-mu.

 

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/campo-e-lavoura/noticia/2013/05/como-funcionaria-a-operacao-para-fraudar-leite-em-ibiruba-segundo-o-mp-4141753.html

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